| Com investimento de aproximadamente R$ 600 mil até 2011, empresários, entidades de classe e privadas, e a Prefeitura de Niterói, estão unindo forças para dar uma nova cara ao Centro de Niterói. A solidificação do Polo Comercial Jardim São João têm conseguido não apenas melhorar a infraestrutura urbana do local como também capacitar os gestores locais, para que suas vendas aumentem entre 10% a 30% a cada ano.
Uma pesquisa realizada pelo Sebrae com cerca de 10% dos moradores – aproximadamente 400 pessoas – da área do Jardim São João e entorno (que inclui as ruas Visconde de Itaboraí, São João, Marechal Deodoro, São Pedro, Coronel Gomes Machado, Visconde de Sepetiba, Barão do Amazonas e a Visconde de Uruguai) mostrou o perfil do consumidor local e o que seria necessário para aumentar o fluxo de pessoas e consumo no local.
Segundo Mirella Condé, gestora do projeto Polo Comercial do Jardim São João, o objetivo é melhorar o comércio local, tornando os empresários, gestores antenados com o mercado, que ofereçam aos clientes aquilo que eles procuram. Ela lembra que a parceria com a Prefeitura é fundamental para melhorar a infraestrutura do bairro e atrair mais pessoas para o local.
"Nosso objetivo é fazer um trabalho conjunto com empresariado, universidades, sindicatos e prefeitura, para modernizar as empresas e fazer com que se tornem sustentáveis. Assim, vão conseguir um aumento de pelo menos 10% ao ano em seu faturamento. Atualmente, temos cerca de 40 proprietários de empresas da região que participam das reuniões e se beneficiam com cursos, palestras e assessoria promovidas tanto pelo Sebrae quanto pela Câmara dos Dirigentes Lojistas e Sindicato dos Lojistas (Sindilojas)", explica Mirella.
Parceria – Embora a ideia do polo comercial tenha surgido em 2006 – quando o Sebrae começou a mapear a região –, apenas em março deste ano a parceria foi confirmada, através da assinatura de um contrato entre o Sebrae, o Sindilojas-Niterói, CDL-Niterói, universidades Candido Mendes e Salgado de Oliveira, e a prefeitura. Desde então, o objetivo dos empresários locais, de ali ser "um polo comercial de rua com excelência em atendimento, serviços, cultura e lazer", começou efetivamente a sair do papel.
Segundo Mirella, ações de marketing, assim como a criação de uma logomarca para o projeto, foram algumas das ações iniciadas. A pesquisa sobre o perfil do consumidor servirá de base para ações que deverão atrair os clientse para a região e fidelizá-los.
"A pesquisa nos mostrou que há dois picos de consumo na região: às segundas-feiras e aos sábados. No entanto, os públicos são diferentes: enquanto no sábado a maioria é formada por mulheres entre 40 e 60 anos, com renda até R$ 1 mil, na segunda-feira, a procura maior é de homens em torno dos 40 anos, com renda mensal em torno de R$ 3 mil. Com base nesses dados, vamos nos reunir com os empresários para verificar as estratégias que podem ser utilizadas para aumentar o fluxo nos outros dias e expandir o perfil desses consumidores", explica.
União – Segundo Joaquim Manuel de Sequeira Pinto, presidente da CDL-Niterói, a criação do Polo Comercial do Jardim São João segue a tendência mundial da união de forças em torno do bem-estar coletivo.
"A qualificação dos lojistas faz com que eles invistam na boa apresentação de suas empresas, assim como na capacitação dos funcionários. Isso melhora a aparência do empreendimento, o que atrai mais clientes, em consequência, aumenta as vendas e a necessidade de aumentar os estoques, além de criar vagas de emprego para atender a demanda. Ou seja, gerir melhor os negócios é a primeira de uma série de ações que farão com que o comércio no Jardim São João seja atrativo e lucrativo", garante.
Joaquim Pinto explicou que a CDL participa do projeto oferecendo cursos e palestras de capacitação e gestão, além de apoio logístico, através da cessão de espaços para reuniões e eventos. Ele lembra ainda que as demandas dos comerciantes, como segurança, limpeza e estacionamento, também são levadas à prefeitura através da entidade.
Ele acrescenta ainda que a meta do Sebrae, de aumentar as vendas dos comerciantes locais em pelo menos 10% por ano, deve ser alcançada facilmente.
Um entusiasta do projeto, o empresário e diretor do Sindilojas Charbel Tauil afirma que as intervenções do Sebrae já estão surtindo efeito. As lojas estão se adequando, buscando melhorias internas e capacitação empresarial, para atender melhor ao público.
"Até o fim deste ano, acredito que podemos ter um incremento de 30% nas vendas. E nos próximos anos,chegaremos a algo em torno de 10%, como a previsão atual do Sebrae", comenta.
Revitalização – A primeira grande conquista da região foi a conclusão das obras do Jardim São João, que agora conta com um anfiteatro, pista de corrida, brinquedos e projeto paisagístico. A prefeitura, responsável pela reforma urbana, também realizou mudanças no trânsito e alterações nos locais de carga e descarga dos caminhões.
Casos de sucesso Proprietário de uma loja de artefatos técnicos de borracha, o empresário Fausto Regis de Oliveira Reis participou do curso "Como vender mais e melhor", oferecido pelo Sebrae, e se diz bastante satisfeito com as orientações recebidas.
"Mudamos nosso modo de trabalho e percebemos que o contato pós-venda é importante para fidelizar o cliente", explica Reis, acrescentando que o projeto prevê o acompanhamento do prazo de validade dos produtos comprados pelos clientes, lembrando, por telefone, quando for a hora da reposição.
"Fazer parte do polo comercial e poder contar com as orientações do Sebrae me proporcionaram uma nova visão do meu negócio. Agora, acompanho inovações e tendências de mercado, situações que muitas vezes atrás do balcão acabam passando despercebidas", declarou o comerciante, acrescentando:
"O polo não pode parar, porque é essencial para a revitalização do Centro como um todo, especialmente dos lojistas do entorno do Jardim São João".
Financiamento – O casal Fernando e Aline França, proprietários de uma loja de produtos naturais e de um restaurante, além de se beneficiar de palestras e cursos, recebeu indicação do Sebrae para obter um financiamento junto à Fundação Carlos Chagas Filho de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro (Faperj) – agência de fomento à ciência, à tecnologia e à inovação do Estado –, no valor de R$ 8,3 mil.
Com isso, eles melhoraram os equipamentos de informática e aparelhos de segurança.
"Recebemos uma consultoria que foi de extrema importância para diversificarmos nosso negócio. Percebemos que implantar um self-service de sanduíches a quilo, para o horário da tarde, depois do pico do movimento do restaurante na hora do almoço, seria lucrativo e atenderia à demanda local", declarou Fernando.
Aline Reis acredita que "o polo deva se tornar um shopping a céu aberto, atraindo assim mais lojistas para a região".
Ela acrescentou ainda que o atendimento aos clientes melhorou muito depois do treinamento dos profissionais, o que é essencial à fidelização dos clientes. |