sexta-feira, 9 de julho de 2010

Lojistas querem reabertura total da Avenida Visconde de Uruguai

CDL apresenta proposta ao Executivo nesta quinta-feira. Camelôs seriam transferidos para outras vias do Centro de Niterói, como as ruas São Pedro e Coronel Gomes Machado

Beatriz Salomão 07/07/2010

A Câmara dos Dirigentes Lojistas de Niterói (CDL) apresenta nesta quinta-feira à Prefeitura o projeto que prevê a abertura total da Avenida Visconde de Uruguai, no Centro, para o fluxo de veículos. Com a medida, os vendedores ambulantes que se concentram no local seriam transferidos para as ruas Coronel Gomes Machado e São Pedro, no mesmo bairro. O presidente da CDL, Joaquim Pinto, acredita que, com a medida, o comércio na região cresça 30%.

O projeto da CDL, feito em parceria com o Sindicato dos Lojistas de Niterói (Sindilojas) e a Associação Comercial de Niterói, prevê, ainda, a recuperação da Praça São João e a criação de um shopping popular. Além disso, pretende instalar canteiros e rampas de acesso para portadores de necessidades especiais. O gasto para a Prefeitura, segundo Joaquim, não seria alto. A única intervenção necessária seria abertura da “cabeceira” da rua, na altura da Marechal Deodoro.

O documento será entregue ao secretário municipal de Obras, José Roberto Mocarzel, durante reunião do Conselho Consultivo. De acordo com Joaquim, o projeto foi feito, a pedido da Câmara, por arquitetos da UFF, em 2006, e apresentado ao então prefeito Godofredo Pinto (PT). À época, apenas o trecho da Rua Almirante Teffé foi liberado, mas o presidente da CDL diz que os reflexos no comércio foram percebidos, com crescimento de 30%.

“A medida vai valorizar o local e mais comerciantes vão querer alugar estabelecimentos lá. Hoje é uma bagunça que afasta os donos de lojas. Espero que seja bem aceito, porque vai ser bom para a fluidez do trânsito, para os comerciantes e para o consumidor, que vai se sentir mais seguro”, declara.
Para o presidente do Sindilojas, José Luiz Pascoal, o comércio formal é prejudicado com a ocupação da rua por camelôs e a medida vai ajudar, inclusive, na revitalização do Centro.

“O Centro precisa urgentemente melhorar o fluxo de trânsito. Não faz mais sentido manter a rua fechada à passagem de veículos”, afirma.

Pedestres pedem calçada mais larga
Entre os vendedores ambulantes, porém, a abertura da rua não é vista como melhoria.

“São os camelôs que atraem as pessoas para o comércio da rua. Se tirarem os camelôs o movimento vai diminuir e as vendas também”, acredita Ester Silva, de 56 anos, que vende frutas na Visconde de Uruguai há 30 anos.

Ela diz que os camelôs serão prejudicados com a transferência para a Rua São Pedro, pois considera não haver espaço disponível para todos os ambulantes.

Pedestres – Quem costuma passar a pé pelo Centro pede para que, se a Rua Visconde de Uruguai for aberta para o tráfego de veículos, as calçadas sejam alargadas. No trecho da Almirante Teffé que foi aberto, os pedestres reclamam do espaço apertado para transitar nas calçadas.

“Por um lado foi uma boa, mas infelizmente o espaço na calçada para passar ficou pequeno”, afirma o eletricista Wallace Marinho, de 21 anos.

“Acho que a Prefeitura não pode pensar apenas no motorista e esquecer do pedestre. Aqui na Rua Almirante Teffé, uma das calçadas ficou ainda menor para dar espaço ao estacionamento de motos. Um absurdo isso”, reclama o advogado Leonardo Paranhos, de 37 anos.

Prefeitura – A Prefeitura de Niterói informou que analisa a proposta de reabertura da via e está realizando um estudo no local, mas não há prazo para a conclusão do projeto. De acordo com a Secretaria Municipal de Segurança, o município tem 178 vendedores ambulantes cadastrados, 79 na Rua Visconde de Uruguai.

O Fluminense

http://jornal.ofluminense.com.br/editorias/cidades/lojistas-querem-reabertura-da-avenida-visconde-de-uruguai

quinta-feira, 8 de julho de 2010

20/09/2009

Fonte: Jornal "O Fluminense" / Reportagem de Letícia Mota e Simone Schettino

Com investimento de aproximadamente R$ 600 mil até 2011, empresários, entidades de classe e privadas, e a Prefeitura de Niterói, estão unindo forças para dar uma nova cara ao Centro de Niterói. A solidificação do Polo Comercial Jardim São João têm conseguido não apenas melhorar a infraestrutura urbana do local como também capacitar os gestores locais, para que suas vendas aumentem entre 10% a 30% a cada ano.

Uma pesquisa realizada pelo Sebrae com cerca de 10% dos moradores – aproximadamente 400 pessoas – da área do Jardim São João e entorno (que inclui as ruas Visconde de Itaboraí, São João, Marechal Deodoro, São Pedro, Coronel Gomes Machado, Visconde de Sepetiba, Barão do Amazonas e a Visconde de Uruguai) mostrou o perfil do consumidor local e o que seria necessário para aumentar o fluxo de pessoas e consumo no local.

Segundo Mirella Condé, gestora do projeto Polo Comercial do Jardim São João, o objetivo é melhorar o comércio local, tornando os empresários, gestores antenados com o mercado, que ofereçam aos clientes aquilo que eles procuram. Ela lembra que a parceria com a Prefeitura é fundamental para melhorar a infraestrutura do bairro e atrair mais pessoas para o local.

"Nosso objetivo é fazer um trabalho conjunto com empresariado, universidades, sindicatos e prefeitura, para modernizar as empresas e fazer com que se tornem sustentáveis. Assim, vão conseguir um aumento de pelo menos 10% ao ano em seu faturamento. Atualmente, temos cerca de 40 proprietários de empresas da região que participam das reuniões e se beneficiam com cursos, palestras e assessoria promovidas tanto pelo Sebrae quanto pela Câmara dos Dirigentes Lojistas e Sindicato dos Lojistas (Sindilojas)", explica Mirella.

Parceria – Embora a ideia do polo comercial tenha surgido em 2006 – quando o Sebrae começou a mapear a região –, apenas em março deste ano a parceria foi confirmada, através da assinatura de um contrato entre o Sebrae, o Sindilojas-Niterói, CDL-Niterói, universidades Candido Mendes e Salgado de Oliveira, e a prefeitura. Desde então, o objetivo dos empresários locais, de ali ser "um polo comercial de rua com excelência em atendimento, serviços, cultura e lazer", começou efetivamente a sair do papel.

Segundo Mirella, ações de marketing, assim como a criação de uma logomarca para o projeto, foram algumas das ações iniciadas. A pesquisa sobre o perfil do consumidor servirá de base para ações que deverão atrair os clientse para a região e fidelizá-los.

"A pesquisa nos mostrou que há dois picos de consumo na região: às segundas-feiras e aos sábados. No entanto, os públicos são diferentes: enquanto no sábado a maioria é formada por mulheres entre 40 e 60 anos, com renda até R$ 1 mil, na segunda-feira, a procura maior é de homens em torno dos 40 anos, com renda mensal em torno de R$ 3 mil. Com base nesses dados, vamos nos reunir com os empresários para verificar as estratégias que podem ser utilizadas para aumentar o fluxo nos outros dias e expandir o perfil desses consumidores", explica.

União – Segundo Joaquim Manuel de Sequeira Pinto, presidente da CDL-Niterói, a criação do Polo Comercial do Jardim São João segue a tendência mundial da união de forças em torno do bem-estar coletivo.

"A qualificação dos lojistas faz com que eles invistam na boa apresentação de suas empresas, assim como na capacitação dos funcionários. Isso melhora a aparência do empreendimento, o que atrai mais clientes, em consequência, aumenta as vendas e a necessidade de aumentar os estoques, além de criar vagas de emprego para atender a demanda. Ou seja, gerir melhor os negócios é a primeira de uma série de ações que farão com que o comércio no Jardim São João seja atrativo e lucrativo", garante.

Joaquim Pinto explicou que a CDL participa do projeto oferecendo cursos e palestras de capacitação e gestão, além de apoio logístico, através da cessão de espaços para reuniões e eventos. Ele lembra ainda que as demandas dos comerciantes, como segurança, limpeza e estacionamento, também são levadas à prefeitura através da entidade.

Ele acrescenta ainda que a meta do Sebrae, de aumentar as vendas dos comerciantes locais em pelo menos 10% por ano, deve ser alcançada facilmente.

Um entusiasta do projeto, o empresário e diretor do Sindilojas Charbel Tauil afirma que as intervenções do Sebrae já estão surtindo efeito. As lojas estão se adequando, buscando melhorias internas e capacitação empresarial, para atender melhor ao público.

"Até o fim deste ano, acredito que podemos ter um incremento de 30% nas vendas. E nos próximos anos,chegaremos a algo em torno de 10%, como a previsão atual do Sebrae", comenta.

Revitalização – A primeira grande conquista da região foi a conclusão das obras do Jardim São João, que agora conta com um anfiteatro, pista de corrida, brinquedos e projeto paisagístico. A prefeitura, responsável pela reforma urbana, também realizou mudanças no trânsito e alterações nos locais de carga e descarga dos caminhões.

Casos de sucesso
Proprietário de uma loja de artefatos técnicos de borracha, o empresário Fausto Regis de Oliveira Reis participou do curso "Como vender mais e melhor", oferecido pelo Sebrae, e se diz bastante satisfeito com as orientações recebidas.

"Mudamos nosso modo de trabalho e percebemos que o contato pós-venda é importante para fidelizar o cliente", explica Reis, acrescentando que o projeto prevê o acompanhamento do prazo de validade dos produtos comprados pelos clientes, lembrando, por telefone, quando for a hora da reposição.

"Fazer parte do polo comercial e poder contar com as orientações do Sebrae me proporcionaram uma nova visão do meu negócio. Agora, acompanho inovações e tendências de mercado, situações que muitas vezes atrás do balcão acabam passando despercebidas", declarou o comerciante, acrescentando:

"O polo não pode parar, porque é essencial para a revitalização do Centro como um todo, especialmente dos lojistas do entorno do Jardim São João".

Financiamento – O casal Fernando e Aline França, proprietários de uma loja de produtos naturais e de um restaurante, além de se beneficiar de palestras e cursos, recebeu indicação do Sebrae para obter um financiamento junto à Fundação Carlos Chagas Filho de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro (Faperj) – agência de fomento à ciência, à tecnologia e à inovação do Estado –, no valor de R$ 8,3 mil.

Com isso, eles melhoraram os equipamentos de informática e aparelhos de segurança.

"Recebemos uma consultoria que foi de extrema importância para diversificarmos nosso negócio. Percebemos que implantar um self-service de sanduíches a quilo, para o horário da tarde, depois do pico do movimento do restaurante na hora do almoço, seria lucrativo e atenderia à demanda local", declarou Fernando.

Aline Reis acredita que "o polo deva se tornar um shopping a céu aberto, atraindo assim mais lojistas para a região".

Ela acrescentou ainda que o atendimento aos clientes melhorou muito depois do treinamento dos profissionais, o que é essencial à fidelização dos clientes.

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